segunda-feira, 8 de junho de 2009

... E QUEM NÃO SALTA É CABRÃO...OLÉ... OLÉ...

A diferença entre o meu clube de futebol e um partido político é que eu quero que o meu clube ganhe sempre.
Quero que ganhe sempre mas até pode ganhar com penalti roubado no ultimo minuto, e com a marcação desse penalti a dar golo depois da bola bater na barra, saltar para a trave e ainda ir bater na outra trave e depois saltar às costas do guarda-redes, que a esta altura está perdido, e fica a ver a bola entrar devagar na baliza.
Se me fiz entender , quando estamos a falar de bola, de futebol, o meu clube por minha vontade ganharia sempre, mesmo injustamente.

O que eu vi ontem à noite na TV e no rescaldo das eleições foram adeptos não de um clube de futebol mas sim de partidos políticos e é aqui que reside o drama.
Um partido político ao contrário de um clube de futebol tem influência directa nas nossas vidas, na vida do meu filho e dos meus pais e dos meus amigos, eu nunca quereria que ganhasse um partido só porque sinto simpatia por ele, sem que este mereça e apresente as soluções que eu tenho a certeza que são as melhores.
O espectáculo triste que se viu ontem, em todas a sedes partidárias diga-se, foi de pessoas responsáveis e de miúdos (no caso do PSD e BE) aos saltos e a cantar as mesmas canções da claques de futebol, estavam contentes porque o seu clube ganhou as eleições, (e ontem com a excepção de um todos ganharam) mesmo com apenas 30% das bancadas ocupadas ou seja mesmo os adeptos mais fieis estiveram-se nas tintas para o jogo.

Lamento mas não vejo grande futuro na política que vê os partidos como se fossem clubes de futebol, com claques e com cânticos do “e quem não salta é cabrão”.

Acordem!

É que quem ganha as eleições sejam elas quais forem vão ser os responsáveis pela nossa vida e pela vida dos que de nós estão próximos.
Não basta que ganhe “o meu partido”, na política é mesmo necessário que ganhe o melhor mesmo que seja um que nunca antes foi apoiado por nós!

13 comentários:

ianita disse...

Precisamente...

Eu sou PS... sempre fui, acho eu. Quando o Guterres se demitiu e apareceu o Ferro Rodrigues vi ali mais do mesmo. E, independentemente de ser o meu partido, aquele que com mais me identifico, a verdade é que não votei no Ferro Rodrigues. Não votei PS. Fui votar e não votei PS. Não me sentia PS naquelas pessoas... não sentia que eles pudessem fazer o que o país precisava.

Estas europeias foram uma vergonha, Paulo. Porque não se falou de Europa... porque se confunde Magalhães com questões europeias quando isso não tem nada a ver.

Foi uma vergonha porque 65% de abstenção não dizem que se está farto do Governo, nem dizem que se etá farto dos políticos que temos... diz isso sim que 65% dos portugueses não querem saber do futuro deste país! Que não se preocupam o suficiente para tirarem meia hora para irem votar!!

Isto irrita-me. Muito. Porque depois são essas pessoas que passam a vida a lamentar-se que a vida está má e tal... Cromos!

Houve partidos que ganharam e houve partido que perdeu... para mim, perdemos todos! Perdeu a Democracia! 65% de abstenção? Bah! Ridículo!!

Mas... este resultado ainda vai dar maioria absoluta ao PS... cheira-me!

Beijo grande

vício disse...

conheces aquelas palas que normalmente se metem nos burros para só olharem para a frente?
é o que parece que a maioria dos portugueses usa!

actualmente, e depois de tudo o que temos visto, podemos dizer que há quem faça festa por começar a ser roubado por um ladrão diferente...

spritof disse...

Há aqui várias questões a considerar. Concordando na generalidade com o que aqui já foi dito (escrito) devo acrescentar o seguinte:

- a politica nacional está gasta, suja, podre e estúpida...
...não tem presença, não demonstra alternativas, é desrespeitosa para com o país,

- os 65% de abstenção não significam necessariamente que ninguém quer saber da política (esses tais 65%), mas pode também significar que o voto nada vai alterar, porque votando num ou noutro o resultado vai ser a mesma m#$%& (o ponto anterior refere falta de alternativas),

- se quem se absteve fosse votar em branco ou se limitasse a escrever no boletim "vão mas é trabalhar, malandros!" (e estou a ser simpático), o resultado seria o mesmo de não por lá os penantes... certo? O que esses 65% estão a dizer é que eles, aqueles que se dizem políticos, não merecem sequer o respeito, o tempo, o pequemo custo da sinapse neuronal de receber um voto sequer... e a vergonha é deles por estarem a ser ignorados,

- definitivamente, temos tido os governos que merecemos!

O que isto precisa é de candidatos... não, de equipas de trabalho que se candidatem, que sejam uma alternativa real, que produzam alguma coisa de valor, mesmo que não vá ao encontro do que consideremos o mais correcto... mas sempre é alguma coisa.
E existe? Eu não conheço!
Então... candidata-se quem??
Tu?
Ele?
Ela?
Eu?

O que isto precisa é de uma revolução social... não me refiro a armas nem a bloqueios de estrada, mas uma verdadeira revolução social. Mas como é que se movimentam 4, 6 ou 7 milhões de cabeças pensantes (ou supostamente pensantes) em que cada uma vê um caminho diferente ou apenas o seu próprio umbigo?

Não vejo saídas...

Queixem-se do que quiserem... critiquem os políticos, os abstencionistas, os que se estão verdadeiramente a cagar p'ra política, os que roubam, os que enganam, os mentecaptos que mandam neste país... isto só lá vai quando bater mais fundo... e aí alguém se há-de levantar e mudar alguma coisa.

É incrível como até temos alguns políticos com valor... mas onde andam eles???
A máquina deve estar tão podre que eles nem lá chegam perto...

spritof disse...

bolas... fartei-me de escrever e não disse nada de jeito...
:S

FATifer disse...

Tocaste num ponto que há muito me entristece. A frase não é minha mas é verdadeira: “ em Portugal seguem-se partidos como se fossem clubes de futebol e apoiam-se clubes de futebol como se fossem partidos!” … se te colocares à parte e olhares em volta, vês que esta visão é, tristemente, muito mais verdadeira do que se poderia pensar.

Não vou tecer considerandos sobre as eleições de ontem pois tu até resumiste bem a coisa mas direi que, o problema que identificas não é novo (muito pelo contrário) talvez ontem tenha é ficado um pouquinho mais óbvio (não o suficiente para quem não quer ver nem ouvir – nunca podemos subestimar o poder da negação!)

Partilho a preocupação que o teu texto espelha e nem o facto de não sermos italianos e não termos um berlusconi me deixa mais descansado (afinal de contas ele existe e votam nele!!)

Abraço,
FATifer

NI disse...

Durante 20 anos fui militante activa de um partido, tendo assumido diversas funções públicas como eleita pela população.

Apesar de ter deixado a política activa (actividade nobre para quem não precisa dela para sobreviver como, felizmente, era o meu caso), não deixo de exercer o direito/dever de votar. Sou claramente a favor do voto obrigatório.Quem não quiser votar também não pode exigir.

Considero falta de coerência dizer mal dos políticos e exigir medidas e quando somos chamados para dizer o que entendemos voltamos as costas. A abstenção não é um voto de protesto (para isso existe o voto branco ou o voto nulo).

Ao fim de tantos anos de democracia tínhamos a obrigação de ter maturidade democrática.

Os políticos são o reflexo da nossa sociedade. Eles não caem de pára-quedas. Eles vivem no meio de nós. Pode ser um de nós.

O meu partido não ganhou. Espero, sinceramente, que as pessoas não se arrependam de ter um parlamento europeu e uma comissão que colocam em último lugar as questões sociais.

Igualmente lamento que a grande maioria das pessoas votem sem sequer olhar para os programas eleitorais. Se eu perguntar a 100 pessoas o que é que o PSD, PS, BE, CDU, PP, MPT, etc, etc, querem da Europa provavelmente nem um me saberá responder.

E para quem está de férias já falei de mais. Desculpa Paulo.

Beijos

cantinhodacasa disse...

Todos os comentários aqui feitos têm valor.
O teu post está muito bem feito e diz tudo.
Reparei nessa "claque" do PSD. Não gostei, evidentemente. Mas como o que eu queria era que o PS levasse um balde de água fria, passei esqueci o que vi.
Tenho pena que ande por aí gante muito culta e interessada em fazer alguma coisa por este país, mas com políticos como os que temos, mais vale estar discretamente nos seus cantos.

E como diz o "sptitof" : É incrível como até temos alguns políticos com valor... mas onde andam eles???
A máquina deve estar tão podre que eles nem lá chegam perto...

É incrível como até temos alguns políticos com valor... mas onde andam eles???
A máquina deve estar tão podre que eles nem lá chegam perto...!

Beijinho

Missanguita disse...

O problema é mesmo esse Paulo...
Quem lá anda, está no club, no ATL... é um saltar de tacho em tacho, o eleger porque sim...
Seria diferente se votassemos em pessoas e não partidos?
Não sei...
Basta ver o molho de bróculos em que está Inglaterra...
Será justo culpar governos por crise internacional e retracção da economia? A meu ver não... mas só tenho um voto e não me torno mais activa e interventiva na vida colectiva, por isso...

sessaoexperimental disse...

E não é triste quando a politica está ao mesmo nivel que o futebol?

Votei...mas sem acreditar....

abração ;)

najla disse...

Apesar de ser simpatizante de um partido politico, desta vez não votei pelo partido, votei pela mudança e em plena consciencia. Agora não estava nada à espera que os portugueses tivessem memória assim tão curta, para se ter visto o que se viu. Isto está feito desta forma, umas vezes ganha o PS, outras o PSD, independentemente da pessoa e da capacidade que tenha. E depois vêm lamentar-se?!? Havemos de bater ainda mais no fundo....

Gata2000 disse...

Eu sou Ps, sempre fui e sou inclusivamente militante, hoje já não tenho lugares de responsabilidade mas já tive, e tive porque sempre achei que a politica é fundamental para as nossas vidas, são os politicos que decidem tantas e tantas coisas que nos influenciam no presente e que podem contruir ou comprometer o nosso futuro, e o futuro dos nossos filhos.
O meu avô dizia-me no sábado que o pais não merece os politicos que tem, e eu respondi-lhe que o pais tem exactamente os politicos que merece. Porque são o espelo da sociedade, uma sociedade que se baseia nos compadrios, na falta de honra e na falta de principios.
Fiquei triste com o resultado das eleições, mas não esperava outra coisa, os candidatos eram todos, todos maus.
É verdade que quase 70% da população não se dá ao trabalho de mexer o cu para ir votar, porque não se interessam, porque está frio, porque está calor, porque é fim de semana, porque é dia de trabalho, porque eles são todos iguais.
Esquecem-se que é na europa que se decide neste momento muito do que é realizado em Portugal, os politicos não se dão ao respeito, mas a verdade é que os cidadãos se respeitam ainda menos.
é triste e preocupante.

escarlate.due disse...

é isso mesmo!!
será que é assim tão dificil de perceber?? não se trata de quem marca golos à trave, ao árbitro, à mão ou a fazer o pino. não importa se são bonitinhos ou têm pinta de javalis. não interessa se gosto ou se não gosto. importa apenas se são ou não os mais competentes!

K disse...

Eu sou apartidária. Na verdade não percebo um corno de política. Tenho esta noção de ser ideologicamente mais de esquerda, porém os partidos põem-me a monte por funcionarem, e tal como dizes, como clubes. Clubes em que todos têm que ter exactamente as mesmas ideias e não se ousa, nem se permite, ter ideias discordantes ou divergentes. Clubes que se preocupam mais em lutar entre eles e ver quem sai vencedor ao invés de fazerem o que era suposto, ou seja, trabalhar para um fim comum que é o país. Clubes que têm uma posição quando estão no poder e outra quando estão na oposição, consoante lhes dá mais jeito para a jogada. Clubes em que os seus jogadores, que basicamente é isso que eles são, preocupam-se em sacar o seu. Os políticos metem-me asco. Como me contou um americano que conheci em Praga, quando é que sabemos que um político está a mentir? Quando mexe os lábios. O problema dos políticos é que eles não estão lá pelo país e os seus cidadãos e sim por eles próprios.

Gostava de saber mais de política. De como funciona. As várias correntes e ideologias. Mas os maus professores sempre me tiraram todo e qualquer interesse pela matéria dada.

Eu nem estava cá para votar. E se tivesse não sei se teria ido votar. O que é que se escolhe quando se vê merda e merda?!?!?