segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O LOBO MAU DEVE CONTINUAR A COMER A AVÓ


O meu puto tem a sua biblioteca, sempre que posso leio-lhe histórias como o Ruca, o Muzzi, o Noddy e tantas outras histórias de miúdos, e o Lucas Lontro até gosta.

Quando está sozinho a ver televisão o que eu ouço é; shrumm, chhiiippuummm, tchheee, tcheeeefff, iháá, iiihháá, ttrrrreeessschh, mata, esfola, espada... zzáaaasss , já morreste, menos um ….. he he he...

Não dá para entender, o canal de TV de estimação deste miúdo é o canal dedicado à infância, o Panda…!!!
É o canal com mais mortos, mais guerras e lutas por segundo dos mais de 100 canais que tenho em casa, mas é o canal que o Lontro gosta !!!!

As suas histórias preferidas são:
- Transformers, que são robôs alienígenas fictícios.
Optimus Prime e os Megatron encontram-se e defrontam-se violentamente na conquista da centelha.
- Os Gormiti, são os Invencíveis Senhores da Natureza .
Estes povos viviam em paz até ao momento em que aconteceu uma erupção no vulcão da ilha onde viviam e monstros nascidos do magma, mar, terra ou gelo começaram a digladiar-se para conquistar os territórios uns dos outros.
- As Tartarugas Ninja, são um grupo de 4 tartarugas antropomórficas adolescentes mutantes ninjas, treinadas pelo rato Splinter. As Tartarugas moram no esgoto de Nova York, e seu grande inimigo é o Destruidor (Shredder), líder de uma gangue de ninjas.

Em resumo, o meu Lontro gosta de "contos de fadas" desde que morram 10.000 monstros por minuto em cada conto como se pode ver… ugghhh….

Segundo o psicólogo Ilan Brenman, especialista em contos para crianças, às histórias infantis não devem ser retiradas as componentes de violência, terror, sangue, aventura e morte.
As crianças necessitam destas “válvulas de escape” inerentes aos sentimentos do ser humano.
A imaginação seja de que tipo for, ajuda ao desenvolvimento e à criatividade. Ainda segundo o psicólogo, “o lobo mau deve continuar a comer a avó”, lembra que a história dos irmãos Grimm é contada há quase 200 anos e que nunca se viu um pequenino depois de ouvir o conto, pegar numa faca e abrir a barriga de alguém, muito menos da avó… poix… !!!

Eu já estive mais preocupado com a coisa, o Lucas mata vários milhares de personagens imaginarias por dia e inventa golpes mortais cobiçados pelos maiores mestres das artes marciais, mas continua a dar-me beijocas, a dizer que sou o seu melhor amigo e a ter comportamento de Lontro, sendo assim… o tipo, o psicólogo, até deve ter razão!

13 comentários:

Pax disse...

Eu acho que o mais importante de tudo é ele saber que, por muitos lobos maus que lhe apareçam na vida, o seu melhor Amigo estará lá.

:)

Ricardo disse...

Acho que lhe deves continuar a mostrar segurança...É o melhor que uma criança pode ter!

Abraço

Cati disse...

Não deves preocupar-te enquanto ele souber distinguir as coisas, o bom do mau, o verdadeiro do fictício. Para essas coisas estás tu e a mãe! O teu Lucas parece-me ser um puto bem saudável! ;)

Continua o bom trabalho!

Beijoca!

Ianita disse...

Eu cresci com os Transformers e com as Tartarugas Ninja e estou aqui :) inteira e pacífica :)

Fizeste-me lembrar o Itchy e o Scratchy, os desenhos animados que o Bart e a Lisa vêem... o Mundo está assim.

E se é verdade que concordo com tudo o que esse senhor psicólogo diz, por outro lado, há histórias de meninos que puseram uma toalha de mesa às costas e tentaram voar...

Kisses

escarlate.due disse...

não te preocupes mesmo, que não há razão para preocupações.
os miúdos precisam efectivamente de descarregar energias, negatividades, agressividades and so on.
as histórias, teatros, dramatizações, enfim a brincadeira, são óptimos escapes para isso.
ao contrário do que algumas pessoas pensam, os miúdos precisam brincar às "guerras" - transformers, ninjas e bla bla bla - os "cowboys" da nova era :)
para além das agressividades que descarregam, essas brincadeiras também servem para eles definirem e interiorizarem diferenças entre bem/mal, certo/errado, etc

por tudo o que tenho lido, o teu lontrinho é um puto saudavel do ponto de vista fisico, psicológico e emocional, pelo que parece que tens feito um bom trabalho :)

beijo aos dois

Patrícia Villar disse...

Olha Paulo, obrigada pela informação. Sabes que também é uma coisa que muita confusão me fazia, e evitava a todo o custo que as minhas crianças vissem qq coisa do género e explicava-lhes o porquê. Se bem que com a programação existente, é muito difícil que eles não vejam disto. Felizmente, o João já passou essa fase...mas ainda tenho a outra, que adora espadas e pistolas, lol. Mas lá está, este senhor terá certamente a sua lógica, o que me descansa!

Beijinhos e obrigada!

Ana Camarra disse...

Paulo

Não tenho duvidas que o psicologo tem razão.
O imaginário infantil destingue o que são fantasias, sabe que não existem sereias, sabe que nenhum lobo engole uma avó e ela sai de lá inteira.
Faz um exercicio: nos EUA tem vindo a limar todos os contos tradicinais de modo a escamotear a violência, o resultad está á vista, seria mais prático nã permitir o facilitismo do acesso ás armas.
Por outro lado quando me dizem que as histórias ou a animação é violente peço para pensarem na história da Casinha de Chocolate, é que os transformers~não existem, mas pais que abandonam os filhos á sua sorte, existem mesmo.

beijos

vício disse...

não te preocupes! isso vai passar quando ele descobrir o sexo!

Papinha disse...

É normal as crianças gostarem de desenhos animados assim... principalmente os rapazes já as meninas vivem das histórias de encantar onde as muitas princesas vivem os amores e desamores da vida...são mais viradas para o sentimentaloide. A minha até já chora...a primeira vez que a vi chorar num desenho animado foi com o dartacão.... e a unica coisa que arranquei daquela boca foi:
- Mãe estou a chorar porque isto é triste e eu tenho pena!!

Por isso é deixá-los crescer e apenas os acompanhar para distinguirem o real da fantasia!

Beijinhos
P@pinh@

Conde disse...

O meu puto é igual,comporta-se como um heroi dos desenhos animados.Por vezes entra em lutas comigo que param imediatamente quando se atinge um limite.

PAULO LONTRO disse...

Obrigado pelos vossos comentários.

Na verdade não estou muito preocupado, todos os sinais que ele me dá são da maior serenidade e saudável desenvolvimento.

Apenas foquei este tema por ser ter diferente a forma de diversão dos miúdos de hoje comparada com a forma de alguns anos atrás e não falo do meu tempo, falo mesmo de alguns, poucos, anos atrás.
Nunca deixei de ver os meninos brincarem com pistolas e espadas, quando não lhas dão eles inventam-nas, mas hoje eles vão bem além disto, as estratégias de guerra e os requintes de “malvadez ficcionada” é levada a um grau que eu nunca tinha visto.
Esta observação não se baseia apenas nas brincadeiras quotidianas mas também nos desenhos animados e filmes da Disney ou da Pixar ou de qualquer outro entretenimento que acabam por seguir todos os dias.
É no entanto muito interessante ver a forma como eles passam desses cenários de violência para a maior das ternuras e carinhos em segundos, como matam e esfolam enquanto estão a viver as ficções e no tempo de um clique estão a fazer construções com Legos ou a pedir beijinhos e embalos.

Eu não sou muito de ler técnicas pedagógicas ou teorias sobre comportamento, deixo, bem ou mal, alguma margem ao improviso e à inata capacidade que creio existir para gerir estas situações.

Lembro-me de ver darem-lhe o primeiro banho concluindo desde logo que nunca conseguiria faze-lo sem partir o puto ao meio, e afinal… no segundo dia quem lhe deu o banho fui eu e, que tenhamos dado por ela, não partiu nada, não se zangou comigo e senti que fazia movimentos tão naturais que parecia ter tido aquela experiencia dezenas de vezes.

Missanguita disse...

Pois... acho que overdoses de desenhos animados nunca me fizeram mal... até porque eu gostava dos desenhos dos rapazes (querdizer, não há paciência para pequenos póneis! Principalmente quando o voltron está à luta com mais um bicho qualquer, ou o godzilla aparece não sei de onde para resolver mais uma luta desigual, e até mesmo os transformers, o he-man & the masters of the universe andam pelo bairro)
Se não queres o panda, nem miolos a rebentar de 5 em 5 minutos.... tens baby tv?

Lize disse...

ahahah :P Também me parece que o psicólogo tem razão :P Esse tipo de coisas não "mata" ninguém. Já jogos como GTA (Grand Theft Auto, para quem precisa de tradução) cheios de roubos de carros, sexo, dinheiro, e sei lá mais o que há para lá... bem, por alguma razão são para adolescentes e maiorzinhos. Mas o meu irmão de quando em quando lá fala no jogo porque o amigo "avant-garde" tem e diz que é "cool" e coiso e tal. Mas continua a preferir o spiderman. Do mal ao menos :P

Beijocas